Ao harmonioso amigo Lourenço Zara

Ah, Zara, a vida entre pessoas, queira-se ou não se queira, é efectivo paradigma das viaturas em trânsito numa concorrida estrada: apesar de todas as regras, sinalizações e precauções, uns esbarram-se, despistam-se, disputam-se, protestam ávidos entre si, ferem-se e matam-se, enquanto outros lá seguem tranquilamente avante ou conseguem escapar ao profuso vendaval que mais e mais acelera em busca de um destino que ninguém sabe deveras, por mais que se despejem argumentos, o que seja. Nós, Amigo, cá vamos indo consoante temos podido, sempre cordatos e reverentes um com o outro, sobretudo sem nunca termos tido a necessidade de recorrer a explicações suplementares para nos entendermos.

Por pormenor impeditivo que nem importa referir, eu, que estava decidido a estar presente na tua festa de 9 de Julho de 2008 no C.C. Arca de Noé, não apareci para participar no sentido e bonito momento que as benquistas gentes do fado-azul quiseram proporcionar-te. No entanto, senti naturalmente regalo íntimo por saber e constatar que tudo decorreu a primor e ao nível do teu merecimento. De resto, como há felizmente muitíssimas formas de demonstrarmos os nossos sentimentos, sempre grato pela tua simpatia e deferência, sirvo-me deste efeito para render-te a minha sincera homenagem pública e saudar-te na convicção de que a vida haverá de mais proporcionar-nos belos e saudáveis ensejos de fraternal convívio fadista.

António Torre da Guia